
Entra pela porta da sala o (a) professor (a), precedido (a) dos alunos “mais interessados”, fazendo anotações e, logo atrás, os alunos bagunceiros badernando. Na sala estarão dispostos 5 alunos como estátuas representando os físicos: Kepler, Aristóteles, Ptolomeu, Tycho Brahe e Galileu Galilei.
- Atenção, pessoal. Agora, estamos na ala dos bonecos de cera, por favor, não toquem em nada, escutem com atenção todas as informações que eu darei a vocês sobre esses 5 físicos e suas teorias, que estarão na próxima avaliação. [Professor (a)]
- Que fascinante! Eu idolatro Tycho Brahe. Nós somos obcecados pela precisão. Nascemos um para o outro... (suspirando) (Aluna “nerd”)
- Que menina tosca! Enquanto eu sempre quis conhecer a Mulher Melancia... (Felipe)
- Ê lá em casa! (em coro) (Marcos e Ricardo)
- Silêncio, turma! Vamos fazer uma viagem no tempo, desde Aristóteles até Galileu com sua teoria heliocentrista, ou seja, o Sol como centro do Universo... Felipe tire o boné! [Professor (a)]
- Desculpa professor (a). (retira o boné) (Felipe)
- Tudo bem, continuando... Seguindo nessa direção (o [a] professor [a] vai baixando a voz), encontraremos o boneco de cera do físico Aristóteles, que tinha sua teoria baseada em... (o [a] professor [a] segue andando com os alunos bons, iniciando um dialogo mudo entre eles, enquanto os bagunceiros começam uma conversa paralela) [Professor (a)]
- “Rapaz”, eu fiquei sabendo que a segurança noturna daqui é muito gata. Eu duvido que vocês tenham coragem de vir à noite pra conquistar ela! (Felipe)
- Há-Há! Eu vou provar que eu sou mais homem que todos vocês juntos. Vocês vão ver, ela já está na minha! Não tem mulher que resista ao meu charme! (Ricardo)
- O moleque ‘tá se achando... (Marcos)
- Essa eu quero ver! Está combinado, então. 11h15min aqui na porta do museu! (Felipe)
- Falou então! (em coro) (Marcos e Ricardo)
- Neste momento concluímos a evolução do pensamento cosmológico. [Professor (a) aumenta a voz]
[Professor (a) e todos os alunos saem do “museu” (sala)]
Ao cair da noite...
Os “bonecos de cera” saem. Os meninos entram na sala e esperam na frente da porta. Exceto um.
- Poxa, cadê aquele covarde? Ele deveria ser o primeiro a estar aqui! (Felipe)
- Na certa ele amarelou. (Marcos)
(Ricardo chega, correndo e ofegante)
- Eu pensei que você não viria, cara! (Felipe)
- Minha mãe não queria liberar. (Ricardo)
- Ah, sei. Bom, vamos começar nosso plano, galera? (Felipe)
- Já é! (Marcos e Ricardo)
(Eles se dirigem à mesa do professor, onde o segurança noturno estará sentado, e vão se surpreender ao ver que não é “uma” segurança; será um senhor bem velhinho, dormindo e roncando. Eles se aproximam, um bate na mesa e fala):
- Hm, boa noite. (o velhinho acorda assustado) Cadê A segurança daqui? (tom desconfiado) (Felipe)
- Poupança?! (o velhinho diz aos berros e põe a mão na orelha) Não, meu filho, aqui é um museu, não um banco! Mas eu posso ajudar? (Segurança velhinho)
- Não, meu senhor! Nós queremos saber da gat... garota que fica aqui todas as noites. (aumenta o tom de voz) (Ricardo)
- Sabe o que é? Ela é minha prima e eu preciso dar um recado a ela, “sacou”? (Felipe)
- Ah, vocês estão falando da Veneziana?! (fala quase gritando. Os meninos se olham, com uma expressão de estarem estranhando o nome). Oh, ela não está aqui hoje não! A menina ficou constipada, coitadinha!
- Ah, tudo bem, então. Valeu meu tio! (O velhinho volta a dormir. O menino que estava falando com o velhinho vira-se para os outros e faz um gesto como se o plano tivesse dado errado.)
- Pois é galera, deu tudo errado. (Eles se distanciam da mesa) (Marcos)
- Veneziana?! Fala sério, uma gata daquela com um nome estranho desses! Mas, não tem problema, a gente volta outro dia. (Ricardo)
- Ah não, pessoal! Nós viemos aqui pra nada? Vamos agitar um pouquinho esse lugar parado! (Felipe)
- Boa idéia, Felipão! (Marcos e Ricardo) (eles voltam, vêem o velhinho dormindo, passam por ele, mas de repente há uma queda de luz e o sino badala, simultaneamente)
- À meia noite, os espíritos acordam! (tom macabro) (Marcos)
- Você acredita nisso, cara? Fala sério! (Felipe)
(ouvem-se murmúrios)
- O que foi isso?! (Ricardo fala assustado)
- Não sei, vamos lá descobrir! (tom ansioso) (Felipe)
(Eles seguem o som e vão em direção ao outro lado da sala, surpreendendo-se com 5 homens estranhos (os físicos que eram estátuas), conversando. Todos os meninos ficam paralisados, apenas olhando. Depois eles saem do transe e vão caminhando lentamente na sala. Os cientistas estão falando empolgados, quando de repente todos param de falar e olham para os 3 meninos. Os garotos ficam prendendo uma risada).
- Ih, cara, você ta parecendo aquele maluco que o (a) professor (a) tava falando hoje de manhã! (aponta para um dos físicos) (Ricardo)
- Poxa, hoje ia ter festa à fantasia e ninguém nos avisou! (Felipe)
- Ah, se tivessem me avisado eu teria vindo de Ronald Mcdonald! (Marcos)
(Ricardo e Felipe olham com uma expressão desconfiada e confusa para Marcos)
- O que foi? (Marcos)
(Ricardo e Felipe acenam negativamente)
- Em que posso ajudar, jovens? (Aristóteles)
- Espera aí, cara, quem é você? (Felipe)
- Meu nome é Aristóteles, nasci na Grécia numa cidadezinha chamada Estagira. (Aristóteles)
- Ah ta, eu sou Felipe e nasci aqui mesmo. (Felipe aponta para os outros, apresentando-os) E esses são Marcos e Ricardo. (Felipe)
- E aí, tio? (Marcos)
- Beleza? (Ricardo)
- E os outros quatro aí (aponta para os físicos), quem são?
- Eu sou Ptolomeu, nasci em Alexandria, no Egito.
- Isso é nome de gente? Parece o nome do cachorro do meu... (Marcos)
- Cala a boca, Marcos! (em coro) (Felipe e Ricardo)
- Sou Tycho Brahe, da Dinamarca e nasci em 1546.
- Meu nome é Johannes Kepler, mais conhecido pelo meu sobrenome, sou alemão.
- E por último, mas não menos importante, eu, Galileu Galilei, natural de Pisa, na Itália, linceano, matemático especial da Universidade de Pisa, filósofo e matemático – mor do Sereníssimo Grão – Duque da Toscana!
- Convencido! (Aristóteles fala para Ptolomeu, cochichando)
- Puxa! Vocês vieram de longe! (Marcos)
- Afinal, o que todos vocês estão fazendo aqui? (tom desconfiado) (Felipe)
- Todas as noites, nos reunimos nesse local para discutirmos sobre a cosmologia já que esse energúmeno (apontando para Aristóteles) diz que o Universo é constituído apenas de 5 elementos, e esse outro equino afirma que (apontando para Ptolomeu) todos os planetas e astros giram em torno da Terra, que estaria no centro do Universo, inclusive o Sol! Isso é impossível! (Galileu)
- Como pode ser impossível? É claro que todo o Universo é formado de matéria, principalmente dos cinco elementos: água, ar, fogo, terra e éter, porque ao contrário dos objetos abaixo da Lua que se movimentam naturalmente em linha reta, os objetos feitos de éter, como os planetas, movimentam-se naturalmente em círculos, e tudo que é feito de éter dura para sempre! (Aristóteles)
- Asneira! É óbvio que a Terra está no centro e os planetas se movimentam através de uma combinação de círculos, ou seja, eles se movem ao longo de pequenos círculos chamados epiciclos, cujo centro se move em um círculo maior chamado deferente. A Terra fica numa posição pouco afastada do deferente, portanto o mesmo é um círculo excêntrico em relação à Terra! (Ptolomeu)
- Você está louco! Como pode? Todos sabem que os planetas, inclusive a Terra, giram em torno do sol! (Tycho Brahe)
- Eu concordo e ainda digo mais! De acordo com o que eu pude perceber observando Marte, e com seus cálculos, Tycho, percebi que suas órbitas não eram circulares, mas elípticas; além de perceber que numa órbita elíptica um planeta aumenta sua velocidade quando se aproxima do Sol e diminui quando se afasta. Ah! Não posso esquecer que os planetas percorrem áreas iguais em tempos iguais. (Kepler)
- Cara, eu estava, por algum motivo que eu não sei, prestando atenção na aula de Física e não entendi absolutamente nada da sua 3ª Lei. (Ricardo)
- Lei?! Não estamos estudando direito. (Marcos)
- Não, sua besta! As leis de que ele está falando são as teorias de alguns físicos! (Felipe)
(Marcos e Ricardo olham para Felipe assustados)
- Er... Às vezes eu estudo! (Felipe)
- Muito bem, a dúvida é o principio da sabedoria. (Aristóteles)
- Elementar, meu caro Aristóteles! Bem, o quadrado dos períodos orbitais dos planetas, ou seja, o tempo que eles levam para completar uma volta em torno do Sol é proporcional ao cubo de suas distâncias médias até o mesmo. (Kepler)
- Poupe-me com essas suas teorias, Johannes! Eu continuo com a minha teoria geocentrista e vou convencê-los de que estou certo! (Ptolomeu)
- Olha, por mais burro que eu seja, lembro que os professores sempre falaram mais na sala que o que gira em torno de alguma coisa é a Terra em torno do Sol. (Marcos)
- Então, a Terra não está parada no centro do Universo? Pelas barbas de Merlin! Eu sabia que o ser humano seria capaz de fazer novas descobertas ao passar do tempo, mas não imaginava que meu pensamento estivesse errado... (faz expressão pensativa) (Aristóteles)
- O que implica em dizer que o meu modelo do Sistema Solar em que o Sol e a Lua estavam em órbita em torno da Terra, mas os planetas restantes estavam em órbita em torno do Sol também não é verdadeiro? (cara de descrença) Eu sabia que não deveria ter seguido as ideias de Copérnico! (Tycho)
- A ciência é assim mesmo, caro amigo Tycho. (Kepler)
- Pois é, pessoal. Sinto muito em dizer, mas a suas teorias já estão ultrapassadas... (Felipe)
- Oh, céus! Como é possível? (com expressão de desilusão) (Ptolomeu)
- Tecnologia existe para quê?! (Ricardo)
- Como você pode observar Ptolomeu, eu sempre estive certo com a minha teoria heliocentrista! (Galileu)
(Ptolomeu faz uma cara raivosa para Galileu)
- Mas se as coisas têm um lugar natural, então a Terra não pode estar em movimento. Ela tem de estar parada no seu lugar natural, no centro do Universo. (ainda com expressão pensativa) (Aristóteles)
- Os objetos não caem em direção ao centro da Terra por ser aí seu lugar natural, mas por serem atraídos pela tal da gravidade, por isso, não tem nenhum problema a Terra ficar girando, pelo menos foi isso o que o professor falou uma vez... (diminui o tom de voz) E eu não sei por que eu estava prestando atenção... (cara de descrença) (Felipe)
(Marcos e Ricardo também fazem cara de descrença, enquanto isso todos os físicos ficam com cara de frustração e pensativos)
- Não acredito que nossos estudos não valeram absolutamente nada... (tom de tristeza) (Ptolomeu)
- Ah, quê isso! Claro que valeram! Se hoje temos todas essas teorias, devemos agradecer a vocês, que deram o pontapé inicial! (Marcos)
- Concordo com você, Marcos. (Felipe)
- Devo concordar com esses jovens. Eu mesmo, através de dados do meu amigo Tycho Brahe (sorrir para Tycho) e outros cientistas (sorrir para os outros), pude formular várias teses, algumas verdadeiras, outras falsas. Mas, com as verdades ou com as suposições, eu pude ajudar cientistas que vieram depois de mim e assim sucessivamente. (Kepler)
- Claro! (Tycho fala instaneamente animado) E é por isso que gostamos das ciências, não é mesmo, caros colegas? (Tycho)
(Todos acenam positivamente e dão sorrisos uns para os outros, exceto Galileu, que continua sério. Então todos se viram para Galileu, sem entender sua expressão)
- O quê? Eu não me aproveitei da teoria de ninguém, tenho capacidade suficiente... (Galileu)
- Por favor, Galileu, não minta. Eu já sei que você se aproveitou dos meus escritos e minhas teorias erradas para fazer as suas! (tom de deboche) (Galileu olha incrédulo para Aristóteles, enquanto os outros fazem uma expressão de desaprovação para Galileu) Não me pergunte como eu sei, mas agora você não precisa mais esconder isso de mim. (dar um tapinha no ombro de Galileu, que faz cara de envergonhado) (Aristóteles)
Os outros físicos dão tapinhas no ombro e nas costas de Galileu, enquanto todos trocam sorrisos. De repente Tycho olha para a janela da sala e diz, olhando para os outros físicos:
- O dia já está amanhecendo... (tom de segredo)
Acenando positivamente, os físicos se direcionam para seus lugares iniciais, enquanto os garotos estão olhando para a janela da sala (como se estivessem vendo o Sol nascendo); eles ficam em um estado de transe. Os 4 físicos voltam a serem simples estátuas do museu enquanto Aristóteles diz:
- Lembrem- se sempre: O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete! (Aristóteles)
(Então Aristóteles volta a ser um boneco de cera)
Os garotos, ainda em meio a um estado de transe, param de olhar para a janela e observam os bonecos de ceras, um pouco confusos.
- Mas realmente já se passou tanto tempo assim? (Felipe)
(Eles voltam a olhar para janela, estreitam os olhos, começam a se sentir tontos e desmaiam. De repente o segurança velhinho aparece, se aproxima dos meninos e fala)
- É sempre a mesma coisa... (fala, chateado) E o trabalho pesado sobra para mim... (Segurança velhinho)
(Ele vai puxando os meninos um por um para outro lugar da sala, como se fosse um quartinho, bota um bilhete ao lado deles e vai embora com expressão entediada. Logo depois, Felipe acorda, olha para o local, confuso, e acorda Marcos e Ricardo)
- O que a gente está fazendo aqui? Que local é esse? O que aconteceu? (ainda confuso e sonolento) (Felipe)
(Eles ficam de pé)
- Cara, não sei. Só lembro que viemos aqui ver a segurança gata... (faz uma pausa e dar um olhar incrédulo) Não consigo me lembrar! (Ricardo)
(Todos se olham incrédulos. Marcos olha para o relógio subitamente e se assusta)
- Olha a hora, galera! Só temos meia hora para chegarmos ao colégio! (Marcos)
- Vamos “vazar”! (Felipe)
(Os três saem correndo pela porta da sala. Depois de alguns segundos eles entram novamente, e já terão que estar em uma sala de aula. A sala terá que estar arrumada e com alguns alunos (os mesmos que estavam na visita ao museu) sentados em carteiras, simulando uma conversa. Marcos, Felipe e Ricardo entram conversando. Felipe com uma expressão pensativa).
- O sonho que eu tive essa noite foi muito louco! Eu estava no museu e uns malucos que se diziam físicos ficavam falando de umas teorias loucas. O mais estranho é que eu ainda me lembro de cada coisa que eles disseram, como se tivesse sido verdade... (expressão pensativa) (Marcos)
- Que coincidência, cara! Eu tive um sonho essa noite super parecido! Eu pensei que estivesse ficando maluco... (fala, aliviado) (Ricardo)
- Eu também sonhei algo assim... (fala, perplexo)
Nesse momento, o (a) professor (a) entra na sala, anunciando:
- Bom dia, turma! Hoje teremos um teste... Surpresa! (começa um murmúrio de reclamações na sala de aula) Não adianta reclamarem, o teste será sobre os 5 físicos que vimos ontem, de bonecos de cera, no museu. [Professor (a)]
(Enquanto isso, os três garotos ainda estão pensativos, tentando entender o “sonho” em comum que tiveram. Passa uma plaquinha ou alguém narra: “Ao final da aula” Então, Ricardo, Felipe e Marcos começam a conversar na sala de aula, enquanto o professor vai embora)
- Cara, pela primeira vez em minha vida eu consegui responder todas as perguntas de um teste sem dificuldade! (Ricardo)
- Eu também! (em coro) (Marcos)
- Estranho... (fala, pensativo) (Felipe)
- Cara, o que aconteceu com você? Você está muito pensativo! (Ricardo)
- É inexplicável, mas... eu estou com uma vontade de estudar física! (Felipe)
(Marcos e Ricardo se olham incrédulos)
- Eu também! (em coro) (Marcos e Ricardo)
- Que tal fazermos um grupo de estudo e todas as quartas na biblioteca... (eles vão saindo da sala, com expressões animadas) (Felipe)
FIM
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VÍDEO
Agda Stadler
Mariana Guimarães
João Neto
Gabriel Lavigne



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